As formas de vida e o embate territorial indígena em Dr. Alex na Amazônia (1990/2019), de Rita Lee/Life forms and the indigenous territorial conflict in Dr. Alex na Amazônia (1990/2019), by Rita Lee
Resumo
Partindo dos pressupostos da ecocrítica, isto é, dos estudos acerca da relação entre os seres e o meio ambiente, representadas na Arte e na Literatura, por exemplo, este artigo investiga, de forma descritiva e interpretativa, as formas de vida e o embate territorial indígena na narrativa infantil Dr. Alex na Amazônia, de Rita Lee, publicada em 1990 e relançada em 2019, cujo enredo aborda a invasão e a exploração territorial indígena e, consequentemente, os ataques às formas de existência animal, vegetal e mineral. Para aporte teórico, recorreremos a Lajolo & Zilberman (2004), dissertando sobre a literatura infantil; Maciel (2011), acerca da questão animal; Latour (2020) e Stengers (2015) sobre as problemáticas ambientais; Menget (1999) e Ricardo (1999), que discutem a respeito da demarcação de terras indígenas e, por fim, Sá (2012), Viveiros de Castro (2011) e Krenak (2019) no que concerne a perspectiva indígena. Infere-se, portanto, a imagem política-poética de uma narrativa infantil, atrelada aos aspectos de uma postura epistêmica de fronteira, ao abordar a importância de respeitar todas as formas de vida e, sobretudo, ter consciência desde cedo sobre a problemática acerca dos territórios indígenas.
Based on the premises of ecocriticism, that is, studies on the relationship between beings and the environment, represented in Art and Literature, for example, this article investigates, descriptively and interpretatively, the forms of life and the indigenous territorial conflict in the children's story Dr. Alex na Amazônia, by Rita Lee, published in 1990 and re-released in 2019. The plot addresses the invasion and exploitation of indigenous territories and, consequently, the attacks on animal, plant, and mineral forms of existence. For theoretical support, we will draw on Lajolo & Zilberman (2004), discussing children's literature; Maciel (2011), on the animal issue; Latour (2020) and Stengers (2015) on environmental issues; Menget (1999) and Ricardo (1999), who discuss the demarcation of indigenous lands, and finally, Sá (2012), Viveiros de Castro (2011), and Krenak (2019) regarding the indigenous perspective. Therefore, the political-poetic image of a children's narrative is inferred, linked to aspects of an epistemic border stance, when addressing the importance of respecting all forms of life and, above all, having early awareness of the issues surrounding indigenous territories.
Palavras-chave
Palavras-chave: Literatura Infantil; Territorialidade; Perspectiva indígena. / Keywords: Children's Literature; Territoriality; Indigenous Perspective.
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PDFReferências
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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/apalavrada.v0i28.19531
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