Vozes impressas em letras: o perspectivismo ameríndio em diálogo literário
Resumo
Este artigo propõe uma análise da obra As fabulosas fábulas de Iauaretê (2007), de Kaká Werá Jecupé, a partir de uma abordagem comparatista. O objetivo é refletir sobre as singularidades da produção literária indígena e sobre ferramentas metodológicas de mediação. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de natureza analítico-qualitativa, que parte da provocação entre os conceitos de Literatura e Narrativa proposta por João Cezar de Castro Rocha (2008); relativiza conceituações acerca da Literatura e da Literatura indígena, valendo-se de teóricos como Thiél (2012), Ramos (2024) e Lúcia Sá (2012). A principal ferramenta metodológica, contudo, é o perspectivismo ameríndio, desenvolvido em pesquisa etnográfica por Tânia Stolze Lima (1996) e paralelamente estruturado e transformado em teoria antropológica por Eduardo Viveiros de Castro (1996, 2002; 2009). O estudo parte do reconhecimento de que a produção narrativa indígena transcende os limites da escrita e desafia os conceitos ocidentais de Literatura. A obra de Jecupé (2007) é tomada como exemplo de uma narrativa que não apenas preserva saberes ancestrais, mas também propõe alternativas epistemológicas à racionalidade moderna, operando como uma ponte entre diferentes cosmovisões e modos de existir.
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PDFDOI: http://dx.doi.org/10.18542/moara.v0i72.21347












