Contrapedagogias do arquivo na poesia indígena contemporânea
Resumo
Neste artigo, focalizo como diferentes dicções poéticas indígenas atuais da América Latina desafiam (e tratam de deslocar) a pedagogia do monolinguismo, engendrada pelas políticas linguísticas e literárias nacionais. Busco discutir, assim, o investimento de determinadas inflexões glotopolíticas do literário associadas à potência estético-crítica das práticas translíngues que entrecruzam o português e o espanhol com línguas e cosmologias indígenas, configurando uma espécie de reatualização das formações discursivas vinculadas à memória colonial e à relação literatura-língua-território. Os gestos translíngues dessas escritas mobilizam distintas formas de significação do arquivo, visibilizando contatos e possibilitando relações dialógicas intempestivas entre os legados da tradição literária eurocentrada e das artes verbais ameríndias. O dispositivo teórico elaborado aqui ancora-se na correlação transdisciplinar entre os debates sobre translinguismo (Canagarajah, 2017), contrapedagogia (Segato, 2018) e arquivo (Foucault, 2008), a fim de abordar as contrapedagogias do arquivo encetadas pela escrita das poetas indígenas Graça Graúna, Mikeas Sánchez e Roxana Miranda Rupailaf.
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PDFDOI: http://dx.doi.org/10.18542/moara.v0i72.21338












