“Só nos interessa o que não pode ser seu”: dialética da indigestão na cena favelofágica
Resumo
Este artigo examina o Manifesto Favelofágico (2015), do Bando Editorial Favelofágico, como uma reconfiguração periférica da antropofagia oswaldiana, que desloca seu horizonte modernista para o enfrentamento das violências estruturais engendradas pela colonialidade. A favelofagia é concebida como uma “contra-devoração” que devolve ao sistema seus próprios resíduos tóxicos, transmutando a violência epistêmica em potência estética e política. A partir do diálogo com Castro-Gómez, Fraser, Kilomba, Ferreira da Silva e Glissant, o estudo propõe compreender a favelofagia como uma poética da indigestão e da recusa, que afirma o corpo-território da favela como locus de enunciação, reexistência e criação coletiva. Nesse horizonte, a práxis favelofágica engendra novas formas de vínculo, sensibilidade e imaginação política, interrompendo a lógica expropriatória e assimiladora do capitalismo canibal.
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PDFDOI: http://dx.doi.org/10.18542/moara.v0i72.21331












