MOARA – Revista Eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Letras ISSN: 0104-0944

A reantropofagia de Denilson Baniwa: um direito de resposta histórico

Paula Amparo

Resumo

No presente artigo identifico que reantropofagia foi uma exposição, uma obra e um conceito. Na tela de Denilson existe um conceito, que precisa da própria mídia da pintura para ser apresentado. Por que os objetos indígenas são aceitos como artísticos somente quando a tradução do pensamento se dá no formato daquilo que os não-indígenas esperam de uma obra de arte, i.e. como pintura? Denilson Baniwa conceitualiza essas questões oferecendo a cabeça de Mário de Andrade para que os outros indígenas da exposição ReAntropofagia (2019) dispensem de vez os antigos tradutores. O convite é endereçado para indígenas: antropofagizar a Antropofagia Modernista para se tornarem finalmente os representantes de si mesmos. O “direito de resposta histórico” exigido por Denilson Baniwa aponta que Macunaíma (1928) de Mário de Andrade é um livro que ainda estamos aprendendo a ler.


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/moara.v0i72.21330