Do índio dócil ao menino indígena em alguns textos de Gabriela Mistral
Resumo
Em 1922, Mistral prepara a pedido da Secretaría de Educación de México, uma antologia de diversos autores (Martí, Vasconcelos, ela mesma, entre outros) e formatos (crônicas, contos, poemas e cantigas), intitulada Lecturas para mujeres. Nos textos, a figura do “indio” é recorrente, geralmente uma imagem pacificada, dócil, vinculada à beleza natural e ao artesanato.
Já em Tala, de 1938, no poema “La tierra” - que traz uma forte dimensão oral, de cantiga - o “niño indio” aparece como figura central mas não mais representado com traços nítidos ou prefigurados, senão no lugar do interlocutor, inclusive chamado de “filho”. Em 1967, de forma póstuma,
aparece Poema de Chile, ali comparece novamente como interlocutor um menino indígena, mas agora nomeado por sua etnia e atuando como guia do eu poético no percurso de perlaboração do país. Observando esses três momentos, este texto pretende interrogar a agência que o indígena
opera para refletir sobre as tensões e mudanças dessa subjetividade e sua relação com as formas poéticas consideradas menores.
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PDFDOI: http://dx.doi.org/10.18542/moara.v0i72.21316












