ENTRE RAÍZES E SABERES: A IDENTIDADE DOCENTE NA EDUCAÇÃO DO CAMPO A PARTIR DA HISTÓRIA DE VIDA DE UMA PROFESSORA CAMPONESA
Resumo
Neste artigo-ensaio, apresento uma reflexão sobre a Educação do Campo a partir da minha história de vida como professora camponesa, compreendendo-a como um caminho possível para analisar os processos de formação, identidade e valorização dos saberes do meio rural. A narrativa dialoga com memórias da infância, marcada pelo trabalho agrícola junto à família, período em que surgiram, ainda de forma simbólica, as primeiras experiências com a docência, vivenciadas em uma barraca de palha na roça. Ao longo do texto, estabeleço um diálogo entre minha trajetória formativa até a atuação profissional no campo e os referenciais teóricos da Educação do Campo, evidenciando como a educação se constitui como elemento fundamental de resistência, pertencimento e afirmação da identidade camponesa. Trata-se de uma escrita autobiográfica e reflexiva, que articula experiências pessoais, território, trabalho e saberes populares, destacando a importância de práticas educativas contextualizadas e comprometidas com a realidade dos sujeitos do campo. Conclui-se que a Educação do Campo, quando ancorada nas histórias de vida, fortalece a identidade, a autoestima e o protagonismo dos estudantes camponeses.
Palavras-chave
Etnoecologia;Educação Inclusiva; Atendimento Educacional Especializado; Educação do Campo; Práticas Pedagógicas; Inclusão Escolar.
Texto completo:
PDFReferências
ARROYO, Miguel González. Outros sujeitos, outras pedagogias. Petrópolis: Vozes, 2011.
CALDART, Roseli Salete; MOLINA, Mônica Castagna. Educação do Campo. Brasília: Ministério do Desenvolvimento Agrário, 2012.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Tradução de Jess Oliveira. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.
GOMES, Ângela de Castro. Escrita de si, escrita da história. Rio de Janeiro: FGV, 2004.
CLANDININ, Jean; CONNELLY, Michael. Pesquisa narrativa: experiência e história em pesquisa qualitativa. Uberlândia: EDUFU, 2011.
BOLÍVAR, Antonio. “¿De nobis ipsis silemus?”: Epistemología de la investigación biográfico-narrativa en educación. Revista Electrónica de Investigación Educativa, v. 4, n. 1, 2002.
Anísio Teixeira.
TEIXEIRA, Anísio. Educação não é privilégio. 7. ed. Rio de Janeiro: UFRJ, 1994.
(Obra que fundamenta a proposta da Escola Parque.)
Mário de Andrade.
ANDRADE, Mário de. Parques infantis. São Paulo: Departamento de Cultura, 1935.
(Projeto ligado à experiência dos parques infantis em São Paulo.)
Paulo Freire.
FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 23. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999.
(Base para a discussão sobre educação cidadã.)
Milton Santos.
SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 1996.
(Obra fundamental para o conceito de território.)
Moacir Gadotti.
GADOTTI, Moacir. Escola cidadã. 13. ed. São Paulo: Cortez, 2000.
Ladislau Dowbor.
DOWBOR, Ladislau. Educação e desenvolvimento local. Petrópolis: Vozes, 2006.
DOI: http://dx.doi.org/10.18542/ethnoscientia.v11i1.20324
Apontamentos
- Não há apontamentos.
Direitos autorais 2026 Ethnoscientia - Brazilian Journal of Ethnobiology and Ethnoecology





1.png)


