FITOTERAPIA TRADICIONAL NA COMUNIDADE DE CARATATEUA (NE-PARÁ) AMAZONIA, BRASIL
Resumo
A pesquisa buscou valorizar e preservar saberes tradicionais sobre o uso de plantas medicinais em comunidades amazônicas. Teve como objetivo mapear espécies vegetais com fins terapêuticos na comunidade de Caratateua, contribuindo para o reconhecimento da medicina popular e da biodiversidade local. Utilizou-se abordagem qualitativa descritiva, no âmbito do projeto “Bacia do Caeté”. A coleta de dados envolveu free listing, entrevistas semiestruturadas, registros fotográficos e coleta botânica, com participação de pelo menos 10% das famílias, priorizando informantes-chave. Foram identificadas 51 espécies distribuídas em 25 famílias botânicas, com destaque para Lamiaceae, Asteraceae e Euphorbiaceae. A maioria é herbácea, de fácil cultivo e uso cotidiano. As folhas são a parte mais utilizada, principalmente em chás e banhos, para tratar doenças respiratórias, dores e distúrbios circulatórios. Observou-se forte protagonismo feminino na transmissão oral dos saberes, fortalecendo a autonomia local diante das limitações dos serviços de saúde. Conclui-se que os quintais medicinais de Caratateua são um importante patrimônio biocultural, unindo biodiversidade e saberes ancestrais, configurando-se como territórios de resistência e cuidado coletivo essenciais para estratégias de saúde integrativa e conservação socioambiental na Amazônia
Palavras-chave
Plantas Medicinais. Saberes Tradicionais. Amazônia
Texto completo:
PDFReferências
ALMEIDA, C. et al. Inter-relações no cuidado com as plantas medicinais “vem de berço”. Enfermería (Montevideo) [online], v. 9, n. 2, p. 229-242, 2020. Disponível em: http://www.scielo.edu.uy/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S239366062020000200229&lng=es&nrm=iso. Acesso em: 20 fev. 2025.
BADKE, M. R. et al. Saberes e práticas populares de cuidado em saúde como o uso de plantas medicinais. Texto & Contexto – Enfermagem, v. 21, n. 2, p. 367-370, 2012.
BATISTA, L. M.; VALENÇA, A. M. A. Fitoterapia no âmbito da Atenção Básica no SUS: realidades e perspectivas. Pesquisa Brasileira em Odontopediatria e Clínica Integrada, v. 12, p. 293-296, 2012.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). RDC nº 26, de 13 de maio de 2014: Dispõe sobre o registro de medicamentos fitoterápicos e o registro e a notificação de produtos tradicionais fitoterápicos. Brasília: ANVISA, 2014. Disponível
em: https://anvisalegis.datalegis.net/action/ActionDatalegis.php?acao=abrirTextoAto&numeroAto=00000026&orgao=RDC%2FDC%2FANVISA%2FMS&tipo=RDC&valorAno=2014. Acesso em: 20 fev. 2025.
CALIXTO, J. B. Biodiversidade como fonte de medicamentos. Ciência e Cultura, v. 55, p. 37-39, 2003.
CONCEIÇÃO, C. C. C. da et al. Desenvolvimento da agrobiodiversidade: estudo etnobotânico de plantas medicinais na comunidade de Boa Esperança, no município de São João de Pirabas, Pará. Biodiversidade Brasileira, v. 13, n. 2, p. 1-14, 2023. DOI: 10.37002/biobrasil.v13i2.2267. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/371627392. Acesso em: 18 set. 2025.
CORREA, Gilvan Veloso; MORAES, Jones Souza; CORREA, Gildan Veloso; BLANDTT, Lucinaldo da Silva; RAMOS, João Batista Santiago; RODRIGUES, Elias Mauricio S.; SILVA, Iracely Rodrigues da. Uso etnofarmacológico do boldo (Plectranthus neochilus) no manejo de doenças gastrointestinais em Bacuriteuá (Pará). Revista ReGeo, v. 16, n. 4, 2025. DOI: 10.56238/revgeov16n4-055. Disponível em: https://revistageo.com.br/revista/article/view/698. Acesso em: 10 out. 2025.
CORREA, Gilvan Veloso; SILVA, Gabrielle Nazaré F.; CORREA, Renan José C.; CORREA, Gildan Veloso; BLANDTT, Lucinaldo da Silva; RAMOS, João Batista Santiago; UARROTA, Virgílio Gavicho; SILVA, Iracely Rodrigues. Potencial terapêutico de Ocimum selloi Benth. em problemas gastrointestinais em Bacuriteuá, Amazônia (PA). Revista Aracê, v. 7, n. 9, p. 1-14, 2025. DOI: 10.56238/arev7n9-156.
COSTA, Cleonilson Rosário da; OLIVEIRA, Marcelo do Vale; VIEIRA, Norma Cristina. O futuro da Amazônia são as comunidades e os saberes tradicionais: a catação de caranguejo em Caratateua, Bragança, Amazônia oriental. OPSIS, v. 22, n. 2, 2024. DOI: 10.61470/o.v22i2.74790. Disponível em: https://periodicos.ufcat.edu.br/index.php/Opsis/article/view/74790. Acesso em: 29 ago. 2025.
DO CONHECIMENTO POPULAR AO CIENTÍFICO: a utilização de plantas medicinais como forma de valorizar a cultura dos povos tradicionais no ensino da química. I Conenorte, mar. 2024. Disponível em: https://www.conenortprp2024.com.br/evento/submissoes/trabalhos/TRABALHO_EV204_MD4_ID3115_TB376_20032024135816.pdf. Acesso em: 05 fev. 2025.
FERREIRA, A. L. de S.; PASA, M. C.; NUNEZ, C. V. A etnobotânica e o uso de plantas medicinais na Comunidade Barreirinho, Santo Antônio de Leverger, Mato Grosso, Brasil. Interações, v. 21, n. 4, 2020.
GUDYNAS, Eduardo. Buen Vivir: today’s tomorrow. Development, v. 54, n. 4, p. 441-447, 2011.
IBIAPINA, W. V. et al. Inserção da fitoterapia na atenção primária aos usuários do SUS. Revista de Ciências da Saúde Nova Esperança, v. 12, p. 60-70, 2014.
MEDEIROS, Patrícia Muniz de; FERREIRA JÚNIOR, Washington Soares; RAMOS, Marcelo Alves; SILVA, Taline Cristina da; LADIO, Ana Haydée; ALBUQUERQUE, Ulysses Paulino. Why do people use exotic plants in their local medical systems? A systematic review based on Brazilian local communities. PLOS ONE, v. 12, n. 9, e0185358, 2017. DOI: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0185358. Disponível em: https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0185358. Acesso em: 10 nov. 2025.
MORAES, J. S. et al. O uso da planta Cissus verticillata (Insulina) no tratamento do diabetes mellitus em uma comunidade costeira do Pará, Amazônia, Brasil. Research, Society and Development, v. 9, n. 7, p. 1-23, 2020. DOI: 10.33448/rsd-v9i7.4273.
PINTO, E. P. P.; AMOROSO, M. C. M.; FURLAN, A. Conhecimento popular sobre plantas medicinais em comunidades rurais de Mata Atlântica – Itacaré, BA, Brasil. Acta Botânica Brasileira, v. 20, n. 4, p. 751-762, 2006.
RODRIGUES, A. G.; AMARAL, A. C. F. Práticas integrativas e complementares – plantas medicinais e fitoterapia na Atenção Básica. Série A: Normas e Manuais Técnicos. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/praticas_integrativas_complementares_plantas_medicinais_cab31.pdf. Acesso em: 20 out. 2025.
SANTOS, Boaventura de Sousa. Epistemologies of the South: justice against epistemicide. Boulder: Paradigm Publishers, 2010.
SANTOS, D. L. et al. Fitoterapia tradicional em uma comunidade do nordeste do Pará: o uso de Eleutherine plicata Herb. no tratamento da amebíase. Research, Society and Development, v. 9, n. 7, p. 1-24, 2020. DOI: 10.33448/rsd-v9i7.4539.
SANTOS, Igor Tourinho dos. Estudo etnobotânico de plantas medicinais utilizadas por estudantes indígenas da Comunidade Umariaçú II, Tabatinga, Amazonas. 2023. 45 f.
Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Ciências: Biologia e Química) — Universidade Federal do Amazonas, Benjamin Constant, 2023. Disponível em: https://riu.ufam.edu.br/handle/prefix/7820. Acesso em: 18 set. 2025.
SANTOS, M. Saberes bioculturais e desenvolvimento sustentável na Amazônia. Revista Brasileira de Sustentabilidade, v. 20, n. 3, p. 10-25, 2022.
SHARIF, A. et al. Usos etnomedicinais de plantas para várias doenças nas áreas remotas da Floresta Changa Manga, Paquistão. Revista Brasileira de Biologia [online], v. 84, 2024.
SILVA, G. N. F. et al. O uso da planta “Canarana” (Costus arabicus L.) no tratamento de cálculo renal em uma comunidade tradicional do nordeste paraense – Amazônia – Brasil. Research, Society and Development, v. 9, n. 8, p. 1-23, 2020. DOI: 10.33448/rsd-v9i8.5637.
SILVA, G. N. F. et al. Usage of Luehea divaricata Mart. by an Amazonic traditional community and its antidiabetic potential. Revista Aracê, v. 6, n. 4, p. 19276-19293, 2024. DOI: 10.56238/arev6n4-486.
SILVA, Wagner de Jesus; DA SILVA-CASTRO, Milena Maria da. Conhecimento quilombola e as plantas medicinais: recursos didáticos para o ensino de ciências. Odere: Revista Internacional de Relações Étnicas, v. 4, n. 8, p. 364-379, 2019. DOI: 10.22481/odeere.v4i8.5769. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/odeere/article/view/5769. Acesso em: 23 out. 2025.
SILVA, Zilmara Guedes da; LEONE, Fernanda Regis; CELLA, Wilsandrei. Conhecimento etnobotânico sobre plantas medicinais utilizadas por moradores de uma cidade ribeirinha no interior do Estado do Amazonas, Brasil. Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR, v. 26, n. 1, 2022. DOI: 10.25110/arqsaude.v26i1.2022.8378. Disponível em: https://revistas.unipar.br/index.php/saude/article/view/8378. Acesso em: 18 set. 2025.
SORIA, R. N. Plantas usadas em infecções digestivas no Paraguai. Revista da Sociedade Científica do Paraguai [online], p. 163-176, 2021. Disponível em: http://scielo.iics.una.py/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2617 47312021000200163&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 08 mar. 2025.
SOUZA, B. S. et al. Fungos endofíticos associados à planta medicinal corama (Kalanchoe pinnata [Lam.] Pers.). Desafios: Revista Interdisciplinar da Universidade Federal do Tocantins, v. 5, n. 3, p. 30-45, 2018.
TOLEDO, Víctor Manuel; BARRERA-BASSOLS, Narciso. A memória biocultural: a importância ecológica das sabedorias tradicionais. São Paulo: Expressão Popular, 2015.
DOI: http://dx.doi.org/10.18542/nra.v13i2.19800
Apontamentos
- Não há apontamentos.



