Nova Revista Amazônica

Bem Viver e epistemologias: A cosmopolítica indígena no contexto da virada ontológica

Éder Rodrigues Rodrigues dos Santos

Resumo

O trabalho situa-se no debate sobre a virada ontológica, protagonizada por especialistas indígenas, que compreendem o contexto de crise epistemológica e climática proveniente do modelo de sociedade hegemônico que metaboliza a floresta em mercadoria. Tal modelo desconsidera as consequências ambientais desse processo, pois suas raízes são tributárias de uma cosmologia colonial, extrativista e predatória. A virada ontológica aprofunda o debate sobre as noções de natureza (s) e humanidade (s) – no plural e permite a observação da realidade biopsicossociocultural e biointegrada da espécie humana com outras humanidades e com seu território, fenômenos vinculados ao Bem Viver indígena. O trabalho[1] lança mão do método ontológico xamânico indígena e da fenomenologia ontológica merleau-pontyana. Pelas regularidades encontradas na literatura e nas narrativas de lideranças e artistas indígenas contemporâneos, é possível perceber que a perspectiva indígena pode contribuir com as noções de humanidade e de territorialidades, oferecendo outras visões de mundo alinhadas à inteligência da floresta. Desta forma, os indígenas considerados neste trabalho demonstram a crítica filosófica reversa ao modelo capitalista a partir de suas ontologias e epistemologias.


[1] O texto é parte da tese de doutorado defendida no Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), na área de concentração: Ambiente e Território na Pan-Amazônia, na linha de pesquisa: Território e Sociedade na Pan-Amazônia.


Palavras-chave

Bem Viver; Cosmopolítica; Virada ontológica; xamanismo; indígenas.


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/nra.v13i2.19665

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