Uso neoliberal do território e condição de "condenados da terra" aos povos indígenas no Brasil
Resumo
Este artigo analisa criticamente o uso e a ocupação do território brasileiro a partir da
lógica neoliberal associada à permanência da racionalidade da colonialidade, discutindo
os impactos de tal racionalidade sobre os povos indígenas, aqui compreendidos
como “condenados da terra”. O objetivo é demonstrar como o território continua
sendo estruturado por relações históricas de expropriação, invisibilização e violência,
ressignificadas pelo avanço do agronegócio, da grilagem, da mineração e do crime
ambiental. A metodologia fundamenta-se na abordagem crítica da geografia com base em revisão de literatura teórico-analítica e de análise de dados socioespaciais representados em mapas temáticos e fontes secundárias. Os resultados revelam que a colonialidade é expressa na destruição da Natureza, na negação das territorialidades originárias e na perpetuação de formas modernas de exclusão. Contudo, ao mesmo tempo, é evidenciada a atuação ativa dos povos indígenas na conquista de direitos e construção de novas territorialidades a partir das suas práticas de re-existência. O texto conclui que a superação dessa condição exige rupturas epistemológicas e políticas que afirmem a diversidade como valor estruturante do território.
Palavras-chave
território; colonialidade; povos indígenas; neoliberalismo; resistência.
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