A sobrenatureza da mímesis literária: jogar com a transmundanidade
Resumo
O artigo analisa a emergência da literatura indígena contemporânea como força disruptiva na tradição mimética ocidental, centrada na separação entre natureza e cultura. A partir do conto N?k? Wiím? Kihty, de Jaime Diakara, evidencia-se uma mímesis ancorada em ontocosmologias indígenas, que desafia o modelo logocêntrico e antropocêntrico da physis. Articulando dimensões cosmológicas dessanas, na perspectiva de Diakuru e Kisibi, com conceitos de Benjamin, Müller, Nodari e Viveiros de Castro, o texto propõe a noção de sobrenatureza da mímesis, entendida como jogo entre mundos e línguas, humanos e não humanos, por meio de semelhanças não-sensíveis. O jogo mimético, nesse contexto, é uma prática estética de transmundanidade, em que sujeito e objeto se deslocam continuamente. Essa abordagem rompe com o realismo humanista e instaura múltiplos ontorealismos literários. A literatura, portanto, torna-se espaço de composição e tradução entre mundos, produzindo uma experiência interjetiva e especulativa, na qual se desfazem e refazem sentidos, figuras e mundos em constante transformação.
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PDFDOI: http://dx.doi.org/10.18542/moara.v0i72.21353












