MOARA – Revista Eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Letras ISSN: 0104-0944

Aquele que arranjou para si um lugar: Nimuendajú e a autoridade etnográfica

Alice Alberti Faria

Resumo

Este artigo analisa a construção da autoridade etnográfica de Curt Nimuendajú (1883-1945) na obra As lendas da criação e destruição do mundo como fundamentos da religião dos Apapocúva-Guarani. A partir de Clifford (2002) e de Klinger (2012), entendemos como são empregadas estratégias discursivas que visam a legitimar o olhar do etnógrafo e as interpretações que ele tece. Nimuendajú performa sua posição entre mundos com a adoção do nome (Nimuendajú) que recebeu na aldeia Guarani Apapocúva de rio Batalha em 1905, gesto que faz parte da encenação de sua autoridade etnográfica. É por meio do emprego do nome de autor que ele constrói simultaneamente o sujeito que escreve e o outro que é descrito. O texto também contrapõe o original em alemão da obra As lendas, publicado em 1914, com sua tradução para português de 1987, para discutir escolhas tradutórias e vocabulares que compõem a construção de sentido na textualidade do relato etnográfico.


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/moara.v0i72.21346