MOARA – Revista Eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Letras ISSN: 0104-0944

Graça Graúna, uma haijin potiguara: breve análise de seus (quase) haikais

José Helder Pinheiro Alves, Ianna Kelly Alexandre Bezerra

Resumo

O presente artigo analisa a obra Fios do tempo (ou quase haikais), da poeta Potiguara Graça Graúna, examinando como seus “quase haikais” articulam ancestralidade indígena, contemplação da natureza e estética de resistência. O estudo estrutura-se em três eixos: a) contextualização histórica e formal do haikai e sua reinvenção no Brasil; b) análise temática e simbólica de poemas selecionados; c) investigação da materialidade do livro, publicado em formato cartonero, como extensão poética e política. A reflexão apoia-se em Octavio Paz (1982; 1996) e Rebechi Junior (2019) sobre forma e sentido do haikai; em Kopenawa e Albert (2015) e Krenak (2019; 2022) sobre cosmovisão indígena e o Antropoceno; e em Cadôr (2016) e Pimentel (2020) acerca da estética cartonera. Graúna articula a síntese do haikai japonês com saberes originários, construindo uma poética descolonizadora que, ao transcender o texto, também se afirma como gesto político de resistência.


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/moara.v0i72.21320