ANÁLISE DA GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS E PERCEPÇÃO SOCIOAMBIENTAL EM LICHINGA, MOÇAMBIQUE: DESAFIOS PARA A SUSTENTABILIDADE E SAÚDE PÚBLICA
Resumo
A gestão inadequada de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) configura um vetor crítico de degradação socioambiental e risco sanitário em cidades da África Subsaariana. Este estudo objetivou diagnosticar a eficiência do sistema de gerenciamento de RSU no Município de Lichinga, Moçambique, confrontando indicadores operacionais técnicos com a percepção da população sob a influência da sazonalidade climática. A investigação abrangeu oito bairros representativos por meio de uma pesquisa transversal de abordagem mista (quanti-qualitativa), conduzida entre agosto de 2025 e janeiro de 2026. A amostragem (n=320) incluiu técnicos municipais e chefes de família, estratificados em três fases climáticas: seca, transição e chuvosa. A análise estatística revelou uma degradação progressiva do serviço, com a eficiência da coleta declinando de 30% na estação seca para apenas 16% no pico chuvoso. Constatou-se que 76,3% dos domicílios situam-se em áreas de atendimento precário ou inexistente, onde predominam práticas de autogestão ambientalmente inseguras, notadamente a queima a céu aberto (48,0%) e o enterramento (24,0%). Conclui-se que o modelo de gestão centralizado sofre colapso logístico sazonal, demandando a implementação de estratégias descentralizadas e tecnologias sociais para mitigar os impactos na saúde pública e promover a resiliência urbana.
Palavras-chave
Gerenciamento de resíduos; Percepção ambiental; Saneamento básico; Saúde ambiental; Sazonalidade.
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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/ethnoscientia.v11i1.20047
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