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USO DA FAUNA E FLORA POR COMUNIDADES QUILOMBOLAS DO ARQUIPÉLAGO DO MARAJÓ, PARÁ

Regian Ferreira Sena, Marcela Alvares Oliveira, Fernanda Carneiro Romagnoli, Ana Paula Vitoria Costa-Rodrigues

Resumo

O Brasil apresenta uma das maiores taxas de diversidade biológica e cultural do planeta. O conhecimento e uso de elementos da fauna e da flora por comunidades quilombolas são parte importante desta diversidade e demonstram a relevância social destes povos. Reconhecer e valorizar estes saberes é elemento relevante na luta pelos direitos quilombolas. Neste trabalho, objetivou-se registar as etnoespécies reconhecidas pelas comunidades quilombolas Bacabal, Boa Vista e Pau Furado, localizadas em Salvaterra, Pará, bem como as principais formas de uso destes recursos naturais. A pesquisa foi realizada em três locais: Bacabal, Boa Vista e Pau Furado, comunidades rurais do município de Salvaterra, arquipélago do Marajó, Pará, norte do Brasil. Foram entrevistadas 33 pessoas que mencionaram 141 etnoespécies distribuídas nas categorias medicinal, alimentícia, ornamental, artesanato, construção, ritual/religioso e lenha. As práticas da roça, caça, pesca e a criação de animais fazem parte do cotidiano dessas comunidades e garantem a subsistência das famílias. Essas atividades de manipulação dos recursos naturais são responsáveis por seu papel social, cultural e econômico, revelando a intrínseca relação que estas comunidades mantêm com os recursos locais.


Palavras-chave

Amazônia, Etnoespécie, Flora, Fauna, Uso da biodiversidade


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/ethnoscientia.v6i3.10502

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