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MULHERES E A PESCA ARTESANAL: SALVAGUARDANDO CONHECIMENTOS TRADICIONAIS SOBRE PLANTAS DA RESTINGA EM ARRAIAL DO CABO, BRASIL

Nicky van Luijk, Zenilda Maria da Silva, Maria Helena de Oliveira e Silva, Viviane Stern da Fonseca-Kruel

Resumo

A pesca artesanal é o principal meio de sobrevivência para cerca de 39 milhões de pessoas no mundo. As mulheres representam 50% da força de trabalho nos setores de pré e pós-captura, no entanto, seguem na invisibilidade. Tal espaço de labor ainda é majoritariamente masculino, tanto que no Brasil meio milhão de trabalhadoras da pesca continuam marginalizadas devido ao preconceito de gênero, ainda que sejam detentoras de conhecimentos que garantem a sobrevivência de suas famílias, como em Arraial do Cabo (RJ). O estudo, nesse contexto, objetivou investigar o papel delas nas atividades pesqueiras realizadas pela comunidade tradicional do município – uma das mais antigas e importantes do estado do Rio de Janeiro –, assim como seus conhecimentos sobre as plantas da restinga utilizadas na pesca, especialmente entre os períodos compreendidos entre 1940-1960 e a partir de 1990 até hoje. Para tal, foram realizados levantamentos bibliográficos sobre a história da região e entrevistas com duas nativas, cujos dados demonstraram que em décadas passadas elas eram responsáveis pelo beneficiamento do pescado através da salga, serviço remunerado por donos de paióis e tido como secundário. Hoje em dia elas atuam na captura, no beneficiamento e na confecção de diversos produtos – à base de peixe – para comercialização. Tais tarefas indicam que o papel da mulher na atividade pesqueira vem sofrendo mudanças. Ademais, elas detêm conhecimentos importantes quanto à segurança alimentar, os recursos pesqueiros e a flora da restinga, bem como sobre frutos nativos e o preparo de alimentos locais.


Palavras-chave

etnobiologia, gênero, pesca tradicional, recursos marinhos, restinga


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/ethnoscientia.v6i2.10371

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ISSN 2448-1998