Memória silenciada: o impacto da censura nas bibliotecas universitárias durante a ditadura militar no brasil
Resumo
Este artigo analisou o impacto da ditadura militar brasileira (1964–1985) sobre as bibliotecas universitárias públicas das regiões Sul e Sudeste do Brasil, com ênfase na censura imposta pelo regime e suas consequências para a preservação da memória e o acesso à informação. O objetivo foi investigar, com base na literatura, como essas instituições enfrentaram as restrições autoritárias e de que forma suas ações influenciaram a memória coletiva. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, exploratória e descritiva, fundamentada na análise de quatro estudos: Chaffe (2009), Rodrigues (2016), Rodrigues (2020) e Lima (2016). Os resultados revelam que a censura moldou o funcionamento das bibliotecas, restringindo o acesso ao conhecimento e promovendo a exclusão de obras consideradas contrárias ao regime. No entanto, também foram identificadas estratégias sutis de resistência, como a preservação discreta de livros censurados e práticas catalográficas que desafiavam, ainda que de forma velada, a narrativa oficial do regime. Conclui-se que, mesmo em contextos autoritários, as bibliotecas atuaram como espaços simbólicos de resistência, reafirmando seu papel na preservação da memória coletiva e na defesa da liberdade intelectual.
Palavras-chave
Ditadura Militar; bibliotecas universitárias; censura; memória
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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/conexoes.v13i2.18689
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