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Demografia e mobilidade Yanomami: Avaliando mudanças socioambientais

Maurice Seiji Tomioka Nilsson, Philip Martin Fearnside

Resumo

A mortalidade resultante de invasões da Terra Indígena Yanomami (TIY) por garimpeiros, cujo evento mais conhecido foi o massacre de Haximu em 1993, deixou uma marca clara na estrutura demográfica da população indígena. A dinâmica populacional Yanomami dos últimos vinte anos, no tempo e no espaço, está também correlacionada com o estabelecimento de missões religiosas e de postos de saúde. A demografia das comunidades e grupos populacionais Yanomami foi avaliada em quatro épocas com intervalos de sete anos entre eles (para os biênios 1987-1988, 1994-1995, 2001-2002 e 2008-2009) e os dados foram espacializados em um sistema de informações geográficas (SIG), obtendo uma regionalização da TIY baseados em dados altitudinais (serra e terras baixas), bacia hidrográfica, e em dados linguísticos e interculturais. O estudo demonstrou o crescimento da população yanomami em todas as regiões da TIY, dobrando em vinte anos. O crescimento foi menor no primeiro intervalo e estabilizou nos outros dois. O primeiro intervalo se correlaciona com a influência garimpeira sobre a Terra Indígena Yanomami. O estudo demonstrou uma distribuição da população em duas configurações distintas: um pequeno número de comunidades sedentárias populosas (mais de 10% da população em apenas quatro entre 265 comunidades) e uma maioria de comunidades menores, com mobilidade. Foi regionalizada essa configuração em quatro setores: 1) Serra Parima, uma região com população concentrada, com mobilidade; 2) Colinas de Roraima, uma região sob pressão das frentes pioneiras, fazendas, assentamentos e garimpos, 3) Terras baixas do Demini, uma região que foi afetada no passado pela construção da Rodovia Perimetral Norte, e 4) Terras baixas do estado do Amazonas, uma região de contato mais antigo e que possui as comunidades mais sedentárias. A assistência à saúde, por meio do estabelecimento de postos, garantiu o crescimento da população Yanomami, mas esta manteve sua mobilidade residencial, especialmente na serra. O estabelecimento de missões religiosas contribuiu para a formação de algumas grandes comunidades sedentárias em áreas de terras baixas, mas não impediu a mobilidade sem mudança de residência. A mortalidade devido à invasão da área por garimpeiros entre 1986 e 1999 explica distribuições etárias anômalas nos locais mais afetados.


Palavras-chave

Saúde indígena; Meio Ambiente e Saúde Pública; Assistência à saúde; População; Garimpeiros; Massacre


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DOI: http://dx.doi.org/10.5801/ncn.v20i2.4326

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Print ISSN: 1516-6481 – Eletrônica ISSN: 2179-7536