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Doença Falciforme, preconceito linguístico e sociorracial: a desinformação como determinante social da saúde no Estado do Pará, Amazônia

Ariana Kelly Silva

Resumo

O artigo discute o preconceito linguístico e sociorracial vivenciado por pessoas com Doença Falciforme (DF) no Estado do Pará, tanto nos Serviços Públicos e Privados de Saúde como na Escola, na Família e no Trabalho, resultado de uma pesquisa de campo com 45 interlocutores que convivem com o agravo e que recebem inúmeros apelidos (insultos) por causa de sua condição genética. A metodologia foi baseada em pesquisa qualitativa no Centro de Hemoterapia e Hematologia do Estado do Pará – Fundação HEMOPA (2010-2011), após aprovação no Comitê de Ética em Pesquisa do hemocentro, com entrevistas semiestruturadas sobre como é viver com a DF no Pará, estudo etnográfico e levantamento bibliográfico sobre o tema. Objetivou-se classificar o preconceito linguístico e sociorracial vivenciado pelos indivíduos com DF como um Determinante Social da Saúde (DSS), o que torna a situação de saúde e de vida deles um problema a ser enfrentado. Os resultados indicam que 57% das pessoas entrevistadas já sofreram algum tipo de preconceito – seja linguístico e/ou sociorracial –, sendo que o cotidiano biossocial dos interlocutores com o agravo é considerado como difícil de vivenciar. Conviver com apelidos qualificados pela ‘força’ da Língua Portuguesa é visto como uma demanda de saúde pública e analisado como um DSS por envolver situações de racismo e intolerância com o Outro, além da desinformação sobre a DF, tanto de quem pratica quanto de quem lida com o preconceito. Desse modo, é de fundamental importância que a DF seja assunto de divulgação entre os órgãos competentes a fim de adquirir maior conhecimento e informações sobre a doença e, assim, obter a melhoria da situação de saúde dos sujeitos com DF no Estado do Pará.


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/amazonica.v8i2.5055

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